Sou cético em relação a muitas coisas. Não creio que o homem pisou na lua. E não creio no Deus concebido pelo homem à sua imagem e semelhança. Não creio nas religiões, conduzidas por mortais que prometem resolver todo tido de problema. E tento ser cristão. Afirmo, tento ser cristão. Porque Naquele, eu creio. Em suas palavras, sua mensagem, seu amor incondicional por nós, que o fez se rebaixar à nossa miserável condição de seres aprendizes, eternamente rebeldes e ignorantes (a maioria de nossas ações justifica essa derradeira afirmativa). O olhar Dele me acalma, a presença Dele me consola. Eu, espírito atormentado que sou. E assim, não preciso de rituais para suportar. E nem de dogmas para me convencer.
Todas as vezes que me sinto só são exatamente aquelas que Dele me distancio. Mas Ele não é Pai. É Amigo e Irmão. Por isso sabe ouvir. E entender. E aceitar como sou e como as coisas são.
Sim, eu sinto dores. Terríveis dores. E onde mais dói é na consciência. Tenho medo. O tempo todo. Tenho medo do tempo, da vida em meu redor, e daquela que eu sei existir, mas procuro encontrar dentro de mim e não encontro.
Mas Ele, eu o encontro. Em uma música que ouço ou um livro que leio ou um filme que assisto. Numa cena que presencio. Num fato do qual me lembro. Ou no meu silêncio. Meu tímido e gelado silêncio. Quando me ausento de mim para me refugiar na solidão ao meu lado. Pois que silêncio e solidão caminham comigo, como se eu caminhasse por um deserto, à noite, e, às vezes, em meio uma tempestade de areia. É quando perco a esperança. E como isso acontece com freqüência! Comigo.
Bom, há escritores que precisaram de uma mulher para cada livro. Eu preciso de um livro a cada fase de minha vida. Não para ler. Mas, escrever. As palavras são como a ponte que me fazem atravessar o tempo. Eu me vejo cego, doente, demente; sozinho, velho, carcomido. Mas isso passa. Agora sei que tudo isso passa. Mas eu não me vejo sem as letras. Porque eu não as tenho. Eu as sou.





